O mais alto sonho das Américas

[PT] O mais alto sonho das Américas

Logo ao cruzar a fronteira saindo do Chile para a Argentina, em direção à Mendoza, nos deparamos com o Parque Provincial do Aconcágua. Neste parque está localizada a mais alta montanha do mundo fora dos Himalaias, que é o Monte Aconcágua.

Confesso que tenho uma queda particular por essa montanha. Ela já me fascina e atrai há algum tempo, acho que temos algum tipo de conexão. Uma coisa meio platônica. Lembro-me dela chamar minha atenção naqueles atlas geográficos que lia quando era criança. Nunca me esqueci de uma matéria que vi no fantástico, não sei há quantos anos atrás, na qual mostrava imagens lindas da montanha e a história de um brasileiro que fez o cume de bicicleta, ou algo assim. Aquilo me emocionou.

Há alguns anos atrás, enfiei na cabeça que iria escalá-la. Li tudo a respeito que caiu em minha mão. Tracei toda sorte de planos, fiz contas financeiras, vi equipamentos. Comecei a caminhar para treinar, e a subir os 18 andares do meu prédio repetidas vezes para me acondicionar. Estava empolgado e decidido. Falei com amigos para me acompanharem, mas ninguém seriamente (e por óbvios motivos) se dispôs. Aí vieram as coisas da vida, como sempre vêm. Trabalho, responsabilidades, e todos aqueles motivos que todos nós temos e conhecemos. Defini prioridades e deixei este sonho para um outro momento, mas não cancelei.

E agora, anos depois, estávamos lá: eu, Ana, e nossos filhos Mateus (com 4 anos) e Sofia (com 2 anos).  Estava bastante empolgado, finalmente veria o Aconcágua com meus próprios olhos pela primeira vez.

Estacionamos na entrada do parque, compramos o ingresso no centro de visitantes e entramos para percorrer a curta e fácil trilha até a Laguna de Horcones, pelo vale de mesmo nome, onde há um mirador para ver a montanha. Logo começamos a caminhar e o Sentinela de Pedra, com seus 6.962 metros, já aparece no horizonte para dominar a paisagem e dar suas boas vindas.

Já estávamos no ponto mais avançado da trilha, que dura entre 1 e 2 horas, e as crianças estavam brincando e correndo felizes pelo caminho. Sinto então aquela antiga atração pela montanha, e a ela volto meus olhos.

– Olá Tiago, bem vindo. Finalmente veio, estava te esperando – escuto uma voz, sem saber exatamente de onde. Confuso, mas desconfiado, olho firmemente para aquela imensa massa de rocha e gelo na minha frente. Olá – respondo para mim e para ela – não sabia que podia comunicar-se.

– Claro que posso. Não apenas com você, com outros milhares também. Mas vem e sobe, anseio há muito pelo nosso encontro – respondeu-me.

– Eu também – disse-lhe – Mas ainda não é hora. Vim apenas para ver-te e conhecer-te, ainda que de longe. Será breve este nosso encontro, ainda não será hoje que te escalarei.

– Saiba que estarei sempre aqui – escutei a voz – como por muito tempo estive. Venha quando estiver pronto.

Continuamos o passeio, agora de volta em direção ao centro de visitantes. Estávamos felizes e tranquilos, e seguimos em direção à Mendoza para continuar com nossa volta ao Brasil. E quem sabe um dia, mais adiante, eu possa voltar a encontrar minha velha amiga.

 

[EN] The highest dream in the Americas

Soon after crossing the border from Chile to Argentina, towards Mendoza, we came across the Aconcagua Provincial Park. In this park it is located the highest mountainhu in the world outside the Himalayas, which is Mount Aconcagua.

I confess I have a particular crush on this mountain. It has fascinated me and attracted for some time, I think we have some kind of connection. Something platonic. I remember it calling my attention on those geographic atlases I read as a child. I never forgot a story I saw in a TV show, I do not know how many years ago, in which it showed beautiful pictures of the mountain and the story of a Brazilian who made it to the summit on bike or something like that. It thrilled me.

A few years ago, I made my mind and I was going to climb the Aconcagua. I read everything about it that fell on my hand. I drew all sorts of plans, I looked for equipment. I began to exercise, and to climb the 18 floors of my building again and again to get ready. I was excited and determined. I talked to friends to accompany me, but no one seriously (and for obvious reasons) wished to go. Then life goes on, as always happens. Work, responsibilities, and all those motives that we all have and know took their place. I set priorities and I left this dream of Aconcagua for another moment, but I did not cancel it.

And now, years later, we were there: I, Ana, and our children Mateus (4 years old) and Sofia (2 years old). I was quite excited, I would finally see Aconcagua with my own eyes for the first time.

We parked at the entrance of the park, bought the ticket at the visitor center and walked to the short and easy trail to Laguna de Horcones, along the valley that carries the same name, where there is a viewpoint to see the mountain. Soon we began to walk and the Sentiniela de Piedra, with its 6,962 meters, already appears on the horizon to dominate the landscape and to welcome us.

We were already at the most advanced point of the trail, which lasted between 1 and 2 hours, and the children were playing and running happily along the way. I feel that old attraction towards the mountain, and I turn my eyes to it.

“Hello Tiago, welcome. Finally you came, I was waiting for you” I heard a voice, not knowing exactly where from. Confused but suspicious, I stare at that immense mass of rock and ice in front of me. “Hello”, I answered to myself and to her, “I did not know you could communicate.”

“Of course I can. Not just with you, with thousands more, too. But come now and climb, I longed for our meeting”, she answered.

“Me too,” I said, “but it’s not time yet. I came just to see you and to know you, even from afar. This meeting will be brief, it will not be today that I will climb you.”

“Just know that I will always be here,” I heard the voice, “as I have been for a long time. Come when you’re ready.”

We continue the trail, now back towards the visitor center. We were happy and at ease, and we drove towards Mendoza to continue our return to Brazil. And who knows, some day I might meet my old friend again.

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